quinta-feira, junho 02, 2005

Chesterton e a Ciência

Foi lendo "Um antropólogo em Marte" que cheguei a este escritor que decido comentar hoje. No Prefácio desta obra, Olivier Sacks citou um trecho do que o Padre Brown, um personagem de Guilbert Keith CHESTERTON, falou quando foi interrogado sobre o teu método ("seu segredo").: "A ciência é uma grande coisa quando está a nossa disposição; no seu verdadeiro sentido, é uma das palavras mais formidáveis do mundo. Mas o que pretendem esses homens, em nove entre dez casos, ao pronunciá-la hoje? Ao dizer que a detecção é uma ciência? Ao dizer que a criminologia é uma ciência? Pretendem colocar-se no exterior de um homem e estudá-lo como se fosse um inseto gigante, sob o que chamariam luz severa e imparcial – e que eu chamaria morta e desumanizada. Pretendem distanciar-se dele, como se ele fosse um remoto monstro pré-histórico, e fitar a forma de seu “crânio criminoso” como se fosse uma espécie de sinistra excrescência, como o chifre de um rinoceronte. Quando o cientista fala de um tipo, nunca está se referindo a si mesmo, mas a seu vizinho, provavelmente mais pobre. Não nego que a luz severa possa ser benéfica às vezes, embora, em certo sentido, ela seja o oposto da ciência. Longe de converter-se em conhecimento, ela é a supressão do que sabemos. É tratar um amigo como estranho e fazer com que algo familiar pareça remoto e misterioso. É como dizer que o homem carrega uma probóscide entre os olhos e que cai num estado de insensibilidade a cada 24 horas. Bem, o que você chama de ‘segredo’ é exatamente o contrário. Não tento me colocar do lado de fora do homem. Tento me colocar no seu interior."
(SACKS apud CHESTERTON, 1995, p. 19)
SACKS, Olivier. Um antropólogo em Marte. Trad. Carvalho. São Paulo-SP: Companhia das Letras, 1995.



Chesterton é um romantista satírico, atacou o racionalismo, o cientificismo, o imperalismo, mas também os revolucionários. O que gostei nele é justamente esta crítica que faz sem, no entanto, extrapolar-se. Critica a Ciência e toda a sua conseqüência, porém admite sua beleza e sua importância. A questão está em como o homem em geral conduz e vê a ciência. Se conseguíssemos ver a ciência e o homem de dentro para fora, ela poderia se tornar um grande aliado a nossa felicidade, não poderia?
A ciência hoje é movida basicamente por razão EXTREMA. O problema não é a razão em si mas sim o que posso dizer de razão irracional, ou seja, racionalizar sem emoção. Sou adepto da teoria em que tudo na vida, para ser harmônico, tem de estar em equilíbrio, inclusive a razão e a emoção. Qualquer um desses em excesso pode desencadear uma catástrofe!

Minha foto
Nome:
Local: Brazil
Escultura
Ron Mueck, nascido em 1958 e associado à National Gallery londrina desde 1999, trabalhou por 20 anos... <leia mais! : 1 - 2>

Fotografia
João Miguel Lourenço <veja sua galeria>

Pintura
J. Enrique González <veja sua galeria>

Nº de vistantes

Powered by Blogger